HISTÓRIA DA FAZENDA BELA RIBA
MunicÍpio: São jose do vale do rio preto-RJ
Época de construção: 1850
A Fazenda Bela Riba teve origem como uma próspera fazenda de café durante o auge da produção cafeeira, em meados de 1850, sob a liderança de José Joaquim de Oliveira. Nesse período, destacou-se como uma das maiores produtoras da região, chegando a empregar mais de mil escravizados em suas lavouras.
A sede é uma típica construção colonial do século XIX, erguida em taipa de pilão. A casa principal é rodeada por um amplo jardim, adornado por palmeiras imperiais e árvores centenárias.
As terras da fazenda têm origem em uma sesmaria concedida a Manoel Albino de Andrade, em 1802. Situava-se entre as propriedades do capitão Manoel Rodrigues de Araújo e de Manoel Fernandes Pertenço — este último comprador da sesmaria de Bemposta, pertencente a Germano Luiz Lisboa, posteriormente vendida ao padre Paulo Manoel Barbosa.
Parte dessas terras foi adquirida pelo comendador Guilherme Francisco Rodrigues Franco, que estruturou a fazenda em 1850 para servir de moradia a seu filho, Guilherme Augusto Araújo Franco (neto de Manoel Rodrigues de Araújo). Guilherme casou-se com Geraldina dos Santos Werneck, irmã do barão de Bemposta. Mais tarde, em 1878, a propriedade foi vendida a Fernando Luiz Souza Werneck, sogro do barão de Bemposta.
O núcleo da fazenda foi implantado junto a um corte de morro, às margens do Rio Preto, em área ricamente arborizada. Seu portão principal é ladeado por uma alameda de palmeiras e espécies exóticas, como o pau-ferro. Os núcleos social e de serviço são interligados por uma pequena via interna, que atravessa o antigo edifício da senzala.
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Memória e Resistência
Muito antes de se tornar um espaço de descanso e contemplação, a Fazenda Bela Riba foi palco de histórias marcadas por esforço, resistência e silêncio. Durante o século XIX, em plena expansão do café na região do Rio Preto, centenas de homens, mulheres e crianças foram trazidos à força para estas terras. Escravizados, trabalharam incansavelmente na abertura de estradas, no cultivo, no terreiro de secagem, na casa-grande e nas senzalas — espaços que ainda hoje guardam vestígios de suas presenças.
Apesar das duras condições, mantiveram vivas suas raízes culturais, crenças e esperanças. Mesmo privados da liberdade, formaram comunidades silenciosas que transmitiam saberes, preservavam tradições e sonhavam com um futuro diferente.
Reconhecer que parte da história da Fazenda Bela Riba foi construída com o trabalho de pessoas que não tiveram escolha é um ato de respeito e de compromisso com a verdade. É também um passo essencial para a preservação da memória. Hoje, cada visitante é convidado a refletir sobre esse passado. O silêncio das pedras, as marcas nas paredes e a terra carregam lembranças daqueles que vieram antes e merecem ser lembrados com dignidade.
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A Tragédia e o Renascimento
No dia 11 de janeiro de 2011, a região serrana do Rio de Janeiro foi atingida pela maior tragédia climática da história do país. A Fazenda Bela Riba sofreu graves danos: diversas construções históricas foram destruídas, assim como todo o seu mobiliário original. Ainda assim, o amor, a esperança e a fé deram forças para que o povo da região se reerguesse.
Após a tragédia, os herdeiros de Orlando Gélio decidiram vender a propriedade. Um deles, movido por um antigo sonho de infância de adquirir a fazenda, idealizou a transformação do espaço em um hotel fazenda, com o compromisso de preservar sua fauna, flora e memória histórica para as gerações futuras.
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O Hotel Fazenda Bela Riba
Hoje, fincado nesta belíssima, histórica e bicentenária fazenda cafeeira do Império, o Hotel Fazenda Bela Riba une passado e presente em um só lugar. Seus hóspedes podem vivenciar experiências únicas, cercados por construções originais e objetos que remetem à época dos baronatos do café, carregando um inestimável valor histórico e cultural.
Localizado a apenas 120 km da cidade do Rio de Janeiro, na charmosa cidade de São José do Vale do Rio Preto região serrana do estado, o Hotel Fazenda Bela Riba se apresenta como um refúgio de história, natureza e memória viva.
ENCHENTE REGIÃO SERRANA
Um desastre climático atingiu a região serrana do Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 2011, a tragédia foi considerada como o maior desastre climático da história do país.